A mãe da mãe

O puerpério, que é o fase logo após o nascimento do bebê, é uma fase delicada, pela qual toda mulher passa com mais ou menos dificuldade.

Uns 100 anos atrás, era a fase marcada pela mulher acamada, cheia de cuidados das avós, tias, mãe…

Hoje, nossa vida urbana e atarefada permite apenas uma fração disso – quando permite.

Mas o olhar “de mãe” para a mãe recém-nascida é fundamental. Alimenta a alma. Te faz sentir cuidada e amada num momento em que você está fragilizada, cansada e perdida, e a preocupação principal de todos é o bebê.

É fundamental que alguém tenha como principal preocupação a recém-mãe, suas necessidades, e porque não, suas vontades.

Esse texto eu li no Facebook há algum tempo e me tocou muito, principalmente porque minha mãe foi chamada para a seleta lista de moradores do Céu, já tem alguns anos.

Me fez pensar como teria sido tudo se ela ainda estivesse conosco. Como estaria sendo…

 

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“Enquanto os olhos do mundo estão no bebê que acaba de nascer, a mãe da mãe enxerga a filha, recém-parida. O papel de avó pode esperar, pois é a sua menina que chora, com os seios a vazar.

A mãe da mãe esfrega roupinhas manchadas de cocô, varre o chão, garante o almoço. Compra pijamas de botão, lava lençóis sujos de leite e sangue. Ela sabe como é duro se tornar mãe.

No silêncio da madrugada, pensa na filha, acordada. Quantas vezes será que foi? Aguentará a manhã com um sorriso? Leva canjica quentinha e seu bolo favorito.

Atarefada, a mãe da mãe sofre em silêncio. Em cada escolha da filha, relembra suas próprias. Diante de nova mãe, novo bebê, muito leite e tanto colo, questiona tudo o que fez, tempos atrás. Tempo que não volta mais.

Se hoje é o que se tem, então hoje é o que é. Olha nos olhos, traz pão e café. Esse é o colo, esse é o leite. Aqui e agora, presente.

A mãe da mãe ajuda a filha a voar. Cuida de tudo o que está às mãos para que ela se reconstrua, descubra sua nova identidade. Ela agora é mãe, mas será sempre filha.

Toda mãe recém-nascida precisa dos cuidados de outra mulher que entenda o quanto esse momento é frágil. A mãe da mãe pode ser uma irmã, sogra, amiga, doula, vizinha, tia, avó, cunhada, conhecida. O fato é que o puerpério necessita de união feminina, dessa compreensão que só outra mãe consegue ter. O pai é um cuidador fundamental, comanda a casa e se desdobra entre mãe e filho, mas é preciso lembrar que ele também acaba de se tornar pai, ainda que pela segunda ou terceira vez.”

(Autoria indicada na rede social: Marcela Feriani * Canjica)

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