O papai quase-perfeito

Que perfeito ninguém é, né?

Ninguém nasceu sabendo ser mãe, não. A gente aprendeu, primeiro brincando de boneca, depois cuidando do cachorrinho e mais um monte de tarefas que a sociedade moderna ainda insiste em dizer que são “coisas de menina”: cuidar do outro; perguntar se está tudo bem; perceber se o irmão está com febre e saber o que fazer, com quem falar…

Se não tem a mãe presente, sempre tem quem se prontifique a se colocar nessa posição: uma tia, uma avó, uma irmã.

Homem também não nasce sabendo ser pai. A diferença é que a maioria deles não é ensinado a ser pai, e se não tem um modelo bacana, meu amigo, como é difícil achar quem queira assumir a “bronca” de ser esse modelo, hein!

Considero que fiz uma boa escolha quanto ao pai das minhas filhas. Ele não nasceu sabendo, e muito menos foi ensinado para sê-lo. Na verdade, acho que não foi ensinado nem pra morar sozinho. Por outro lado, o papai quase-perfeito é persistente, e tem uma enorme disposição em aprender coisas novas.

Mesmo que algumas famílias aceitem o modelo tradicional do pai de antigamente, acredito que a maioria dos papais da atualidade seja como o papai quase-perfeito: desajeitados, sem feeling e muito menos timing, mas dispostos. O que não é heroísmo, nem milagre, nem digno de capa de revista, mas que, na nossa sociedade machista, misógina e preconceituosa, considero um BAITA avanço.

Um pai carregando o bebê no sling?

Um pai reclamando com o segurança do supermercado que não tem fraldário separado do banheiro feminino?

Um pai na reunião da escola?

Um pai com dois (OH! MEUS DEUS!! DOOOIS) bebês fazendo feira?

Um pai pedindo dispensa do trabalho para levar o filho/a ao hospital?

Um pai sozinho, parado em frente a uma pilha de fraldas em promoção, fazendo as contas do valor por fralda (gente, eu faço isso every day, hahaha!)

Um pai que mudou de trabalho, ou os horários de trabalho, para poder ficar com as crianças enquanto a mamãe está fora?

Tem, sim! Eles estão aparecendo. Acredito que antes até alguma havia vontade, mas acho que faltava coragem. Era “feio” o homem fazer esse tipo de coisa. Às vezes era uma vergonha para ele: isso não é “coisa de homem”! Mas muitas, para não dizer na maioria das vezes, era uma vergonha para ELA. Isso tudo era coisa de mulher, coisa que a mãe tinha que ver, pensar, decidir, em geral sozinha. E se alguém estava fazendo por ela, ela era ausente, “foi mal-educada” e não dava conta. E a enxurrada de críticas – das avós, das tias, e parentaia em geral – era grande.

A maior participação do pai na vida das crianças está muito ligada à libertação da mulher desse esteriótipo de que “só ela sabe, entende, tem o ‘jeitinho'”… E vou falar, como é difícil para nós, mulheres e principalmente, mamães, admitirmos que NÃO, NÃO sabemos como agir todas as vezes, NÃO conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo, NÃO gostamos de ser polivalentes.

É só quando a gente consegue admitir isso que a gente consegue dar espaço para que vocês exerçam a paternidade de fato.

Sim, sim. A criança precisa do pai, e a mamãe também precisa do pai!

Mas, se me permitem, posso dar uma dica para vocês, papais?

Sejam insistentes. Encham as mamães. NÃO deixem elas fazerem tudo. NÃO deixem elas decidirem sozinhas o cardápio, a rotina, a roupinha. NÃO deixem que só elas falem com a escola. NÃO deixem que só ela fique com o bebê quando ele estiver se esguelando de cólicas. Tomem a frente nos cuidados com a casa, ou com o pequeno ser, principalmente quando perceberem que elas estão de mau-humor, que provavelmente é causado pelo cansaço e stress da rotina extenuante. Mas, para isso, se informem. Leiam algumas coisas sobre crianças e bebês, e também, porque não, sobre as mamães e o que elas pensam e sentem. Dialoguem. Mas façam isso SEMPRE. Porque, como eu falei, a gente não está acostumada com isso, então mesmo a gente pedindo, às vezes fica difícil aceitar ajudar de verdade.

 

Quando vocês, pais, fazem coisas pelos filhos, como quando os acordam de manhã, fazem o jantar ou lavam os seus tênis, ou até quando os levam para passear e viajar em uma aventura somente de “pai e filho(s)” sem que alguém tenha que lhes cobrar isso, vocês deixam as mamães felizes, o que também é, por sua vez, uma maneira indireta de fazer os seus filhos felizes.

 

Mas quando vocês esquecem que a gente é mãe e nos convidam para um cinema sem os filhos, ou nos deixam tranquilas para ir à academia, ao salão ou sair com as amigas, vocês também estão mostrando aos seus filhos o que é amar. Estão dando o exemplo – aqueeeele que eu falei lá no começo que nem sempre os meninos tem, sabe?

 

Seja você o exemplo que você teve ou gostaria de ter tido.

 

Isso pode não dar certo todas as vezes. Mas as tentativas insistentes podem te deixar mais perto de ser um “papai quase-perfeito”.

 

A gente agradece! ^_^

 

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EU RECOMENDO:

Qual a importância do pai na vida dos filhos? (reportagem do Portal IG – clique aqui)

Entrevista com uma psicopedagoga, falando sobre o novo papel do pai na atualidade: clique aqui.

 

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Porque ser pai é rotina, não passeio…

 

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