Amamentar é… Parte 2: minhas experiências

Conforme prometido, vou compartilhar com vocês as minhas duas experiências de amamentação.

 
Com a Heloísa, minha n#1 (à esquerda, na foto!), a coisa foi um pouco complicada.

Era a primeira filha e eu não sabia ao certo o que me esperava, porque a experiência em amamentação na minha família foi praticamente nula. Fruto de uma cultura arraigada no complemento, na desinformação, no desconhecimento.

Me preparei durante a gestação, usei as tais conchas, fiz aqueles rituais estranhos de preparo dos mamilos (ui!!). Mas contra mim, pesou o fato de que eu passei por uma cesariana (indesejada, pois nem em trabalho de parto entrei… Mas isso é outro papo…), que todos sabemos que não ajuda na amamentação, principalmente nos primeiros dias.

Não tive minha mãe fisicamente perto para me aconselhar, já que ela mora lá no Céu. Mas eu tenho certeza de que ela teria sido a primeira a dizer que eu deveria dar uma mamadeira para as minhas filhas.

Na primeira noite, no auge do desespero do meu marido, fui convencida e demos fórmula para ela, ainda no hospital. Ah, se arrependimento matasse!… Ela matou a fome, dormiu, mas passou tão mal depois… Refluxo, vômito, e cólicas…

Claro que meus mamilos tiveram fissuras, como é normal com toda mãe recém-nascida. Em alguns momentos foi muito, mas muito dolorido. As fissuras persistiram por umas duas semanas. Apesar disso, insisti, tive bastante leite.

Para ajudar na produção de leite, apenas o essencial: água, muita água! A cada mamada, eu tomava um copão de água, de 400ml. Nada de lendas relacionadas à cervejas e chás.

Amamentei exclusivamente no peito, em livre demanda, até que ela começou a ter dentes, aos 4 meses e meio.

Nenhum médico me disse que eu deveria fazer isso, mas logo em seguida, quando ela completou 5 meses, e já tinha dois dentinhos, nós decidimos que talvez fosse bom fazer a introdução alimentar, até porque ela iria para a escola dali pouco tempo. Conversamos com a pediatra, e a IA foi um sucesso, mas ela não aceitava a fórmula: tentei mamadeira, copinho, copo de treinamento, colherinha… Nada! “Mamazinho” foi só o da mamãe, até os 9 meses, que foi quando ela aceitou a mamadeira, e eu intercalava a fórmula com o peito. Mais ou menos um mês depois, ela passou a recusar o peito.

Acho que aqui também cabe uma observação importante! Logo após a IA, ela passou a não ganhar mais tanto peso, e nem crescer como devia. Deixou de ser “bochechudinha” e passou a ficar cada vez mais magrinha… Quando aos 9 meses ela aceitou a fórmula, tivemos mais transtornos, com o intestino dela ficando muito lento e as fezes ressecadas. Esse era apenas mais um sintoma, mas foi em virtude dele que, mais tarde, um ano depois, procuramos outra médica e descobrimos que a Helô tinha desenvolvido uma alergia ao leite de vaca.

Hoje ela toma somente leite vegetal (estamos usando o Aptamil Soja), mas já estamos fazendo a reintrodução de alguns derivados de leite.

 

Com a n#2, a Isadora (a da direita), a coisa vem sendo diferente. E na verdade, foi diferente desde o começo.

Para começar que eu não tinha assim tanto tempo para o tal preparo dos seios, já que tinha um outro pequeno ser bem exigente lá em casa…

Porém, um fato que provavelmente contou a nosso favor foi que, com ela, consegui fazer o parto normal. Com os hormônios que são liberados no trabalho de parto, fica mais fácil para o organismo reconhecer o que está acontecendo e, assim, a “descida” do leite acontece mais rápido. Na verdade, quando o bebê nasce, a gente já tem alguma quantidade de leite nas mamas, o tal “colostro”. Esse leite é amarelado, mais viscoso, muito rico em proteínas e, principalmente, anticorpos (que, no fundo, no fundo, são um tipo de proteína) importantíssimos, que ajudam a flora intestinal a começar a se desenvolver e já começam a proteger contra infecções.

Como o bebê recém-nascido mama pouco, esse “estoque” pode durar várias horas, até dias. E enquanto o bebê mama, as glândulas vão sendo estimuladas a continuar a produção – e é aí que vem a real “descida” do leite, o tal “leite maduro”.

Eu já tinha ouvido falar, mas só com a Isadora experimentei uma sensação bem estranha. Cinco dias depois do nascimento dela, já em casa, comecei a ter uma sensação ruim, parecida com uma gripe que ia chegando, corpo pesado, e na noite do quarto para o quinto dia após o nascimento, tive uma febre bem intensa. Na manhã do dia seguinte, liguei para a nossa doula, que disse que podia ser por causa da descida do leite.

Geeeeente… E não é que era?!

No outro dia, eu tinha leite quase saindo pelos ouvidos, e a febre tinha passado!

Conversei com o obstetra, e ele disse que, sim, deve ter sido isso mesmo!

Tive novamente as temidas fissuras, também foram doloridas… Também teve dias em que eu amamentava e chorava… Mas também passou após as duas primeiras semanas. Como da outra vez, não usei intermediário (aquele bico de ‘plástico’ que você adapta no seio), achei que não ia me ajudar devido ao tamanho e formato.

Por causa dos traumas anteriores, Isadora mamou exclusivamente no peito até os 6 meses. Na verdade, até hoje ela não conheceu a fórmula infantil. Leitinho, continua sendo o da mamãe. Agora que ela está maiorzinha, às vezes uso o leite da Helô para fazer uma papinha diferente, com bolachinhas ou miolo de pão, e também faço, uma vez por semana, leite de aveia – esse ela mama na mamadeira de vez em quando.

Tudo isso, claro, conversado com médica e nutricionista, que aprovam essas escolhas.

Ela almoça, janta, come frutas, toma chás e sucos, mas ainda mantém pelo menos 3 mamadas por dia: antes de eu ir para o trabalho, bem cedinho; à tarde, em geral antes da soneca; e à noite, antes de dormir. Às vezes ela acorda de madrugada, e aí também rola um “mamazinho” no plantão…

Uma curiosidade, que também me assustou: tive uma mastite. E não foi no início, como é “de praxe”. Foi logo após ela completar 7 meses!

Uma bela noite, antes de dormir, ela “me atacou” com tanta voracidade (hehehe) que acabou pegando errado e me machucando. Aí eu fui dormir, e talz… E durante a noite acordei com dor, e o peito “mordido” (ela não tem dentes) inchado. Pensei: nossa, como encheu rápido, já está até doendo… Doía tanto que tentei esgotar um pouco… Não consegui! E aí começou a doer tanto que eu não conseguia dormir!

Gente, que dor… O seio estava com o triplo do tamanho, duro, e tão dolorido que eu achei que não ia dar conta de dirigir!

Liguei para o médico logo cedo, que me pediu para passar no consultório. Lá, ele chegou a conclusão que era mesmo mastite. Causada, segundo a explicação dele, por uma bactéria que vive bem “boazinha” na pele, mas que, quando há alguma fissura, ela entra e infecciona as glândulas mamárias.

Não parei de amamentar. Aliás, se parasse seria até pior, já que o leite poderia “empedrar” nas mamas.

Uma semana de antibióticos e remédios para a dor depois, tudo voltou ao normal!

Ainda não pensei muito sobre o desmame. Tem dias que sinto que não há leite suficiente para a fome dela, mas ainda não estamos pensando em substituir as mamadas, principalmente as da manhã e da noite.
Depois de tudo isso, acho que posso fazer uma análise da minha situação:
Creio que a Heloísa chorou bastante no início, na primeira noite, porque o colostro não a saciou. Mas meu erro ali, naquela noite, pode ser o que desencadeou nela a APLV (alergia à proteína do leite de vaca). Durante a amamentação exclusiva, minha dieta foi muito restritiva. Uma fatia de pão com um pouquinho de margarina ou manteiga, ou meia xícara de chá de leite, eram o suficiente para que ela não dormisse a noite toda com cólicas e refluxo.

Depois de tanta experiência negativa, inclusive pessoal minha, relacionada ao leite (um dia falaremos sobre isso), a n#2, Isadora, teve e está tendo uma vivência bem diferente. Ela continua crescendo bem, e só ganha peso.

Sei que cada bebê é diferente, mas é inevitável a comparação.

Se eu tinha essa informação toda… Porque não fiz o mesmo com a n#1?

Eu não estava segura de mim para tomar essa decisão “sozinha”. Eu não estava “empoderada”.

“Sozinha” porque, na hora do desespero, o pai quer é resolver o problema do recém-nascido. A avó também. A tia também. Todos estão ali preocupados com o bebê. Para que a mãe diga algo que, aparentemente, contraria a vontade do recém-nascido, que vai contra o senso-comum, e para que a mãe se mantenha firme nisso, ela precisa saber que ela estará “sozinha” nessa tarefa. E para isso, é preciso saber que você PODE dizer sim, mas que TAMBÉM PODE DIZER NÃO.

Esse é o tal do “empoderamento”, que faz TODA a diferença, principalmente quando existe toda uma cultura ao nosso redor, em que parece que todo mundo se prepara durante 9 meses para dar a mamadeira para o bebê.

Claro que a informação é fundamental nesse processo. Existem diferentes casos, e o que não podemos cometer são os excessos. Às vezes a fórmula infantil se faz, sim, necessária. Mas diferente do que vivemos hoje, todos os estudos mais recentes na área mostram que essa necessidade não é a regra, mas sim a exceção.

Existem também as mães que optam por não amamentar, e é importante que elas saibam que existem consequências para o bebê e para elas – assim como amamentar de forma prolongada também gera consequências, mas nesse caso, a maior parte negativa fica para a mãe, que tem que se privar de certas coisas.

O mais importante é ter conhecimento, ter a maior quantidade de informação CONFIÁVEL possível – e não qualquer link de blablabla da internet, nem a opinião de apenas um profissional, mesmo que aquele seja o seu médico mais fofo, ou que a sua médica seja a sua mãe. A partir daí é que você tem condições reais de avaliar e decidir, sabendo dos prós e contras de cada atitude.

Então, embora eu esteja aqui trazendo informação e contando minha experiência, busque mais, sempre mais. Com médicos e nutricionistas. Isso fará toda a diferença para você e para o bebê.
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Algumas referências que eu acredito que sejam confiáveis sobre aleitamento materno:
http://utineonatal.med.br/novo_site/aleitamento.html – Traz informações básicas sobre o aleitamento materno e outros links interessantes.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2006001000023 – para os mais familiarizados com a linguagem e os curiosos, um artigo científico que relaciona a ocorrência de anemia em crianças de 0 a 5 anos à ingestão de leite de vaca e de fórmulas infantis (só para adiantar o expediente: crianças que consumiram o leite de vaca apresentaram mais anemia!).
https://oseufarmaceutico.files.wordpress.com/2012/02/diferenc3a7as-leites.jpg – uma tabela simplificada que compara a composição dos leites materno, animal (vaca) e em pó (fórmula infantil). Tem várias outras, com mais riqueza de dados, mas acredito que essa seja mais acessível.
http://meteoropole.com.br/2016/03/a-composicao-imunologica-do-leite-materno-e-variavel-leite-materno-de-cores-diferentes/ – a autora do texto não é profissional da área, mas traz bastante informação sobre os tipos de leite (colostro, anterior e posterior – ahm? hein? Qué isso??) e a composição, sempre fundamentada em informação de qualidade.

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Doi, sim. Tem seus sacrifícios. Mas vai acabar, assim como a infância em si. E é benéfica para a pessoa mais importante da sua vida. Então, minha dica principal é: aproveite essa fase o quanto puder!

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2 comentários sobre “Amamentar é… Parte 2: minhas experiências

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