A mãe da criança de dois anos e pouco…

Antes, muito antes de ter filhos, a vida se encarrega de dizer para você a seguinte expressão: os terríveis dois anos – do inglês, “terrible two”.

Aí você tem filhos e pensa: ah, terei dois anos de “folga” (hahahahahahahahahahahahahahahahaha), até que o bebê complete os tais “terríveis 2”, aí é um ano de perrengue, depois é só alegria.

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A gente AMA se iludir, né?

Mas aí a gente descobre que a expressão “terríveis dois” é apenas uma alusão. Porque, segundo os especialistas, os “dois” podem começar ANTES dos 2 anos, e podem durar MAIS de 2 anos – dê uma olhada nesse artigo AQUI.

Muitas famílias afirmam que “não é bem assim”, “não são tão terríveis assim”, “com conversa e paciência fica fácil”, “é só mudar o foco da criança”… Mas lá em casa a “crise” começou antes dos dois e, desde então, eu rezo para todos os santos e entidades cósmicas que se encerre quando o número 2 deixar de fazer parte da idade da minha filha, porque passar dois anos da minha vida nessa situação certamente me levará ao psiquiatra.

“Ai, nossa, que exagero… Aff…”

Cada pessoa é diferente, e crianças são pessoas. Algumas pessoas são mais calmas por sua natureza, outras mais agitadas e ansiosas. Por que motivo não levamos isso em consideração quando falamos das crianças?

Então, algumas crianças podem passar por essa fase de maneira mais sutil, e outras, de forma mais intensa. Talvez, em alguns casos, esteja relacionado com a família e as situações vividas pela criança. Mas eu acredito que, em geral, tem mais a ver mesmo com as características dela mesma. Algo que eu tenho a favor do meu argumento são as mães de gêmeos (conheço algumas), que sempre nos dizem coisas do tipo…

E lá em casa, a minha situação é: tenho uma criança-bebê que sempre foi agitada. Psicólogos e médicos que a conheceram nesse período sempre nos disseram:

– Ela é uma menina “de opinião”.

– Ela tem muita energia

– Ela terá personalidade forte.

– Ela tem muita certeza sobre o que quer e o que não quer. E não tem medo de dizer.

Diante desse panorama, não seria possível que essa fase dos dois anos fosse assim, super tranquila, lá em casa!

Usamos todas as técnicas de educação e comunicação não-violenta, muito carinho e conversa. Mas tem momentos que acabamos partindo para “drogas mais fortes” (ok, me julguem): broncas, castigos, eventuais surtos psicóticos…

Saem gritos, expressões que a gente não aprova (“sai daqui AGORA” – no contexto de: estou na beira do fogão e ela esticando a mão para pegar a panela, ignorando todos os 37 pedidos e atitudes pacientes anteriores), e sim, gente, eu já usei o “tapa pedagógico”, aquele tapa na mão quando a pessoa insiste em enfiar o dedo no aquecedor, na tomada, na taturana Lonomia do quintal.

A gente perde a paciência, porque a gente, que cuida de criança, é adulto, sim. Tem clareza do que sente, pensa e do que é preciso fazer. Tem paciência e sabe que a criança é só uma criança. Mas a gente também é ser humano, é limitado, se cansa e faz 10 coisas ao mesmo tempo.

Se eu me sinto bem quando brigo com ela, quando ponho de “castigo”, se tenho a sensação de dever cumprido? Não, claro. Ninguém se sente bem ao brigar com a pessoa que ama.

Mas é interessante pensar que isso aparentemente pesa mais hoje em dia do que no tempo dos meus pais, porque parece que, quando você se torna mãe, você tem que deixar de ter defeitos. Se você for impaciente e ansiosa, a sociedade espera que, magicamente, no parto, isso passe, sei lá.

Vejam que não estou justificando a violência ou a agressividade com a criança. Eu penso que a infância precisa urgentemente ser mais respeitada, e tento agir assim. Só acho importante a gente considere também que todas as pessoas – bebês, crianças, adolescentes, adultos, idosos – têm suas limitações, e que “perder a paciência” aqui e ali (e não uma vez ao dia), sem maiores consequências (agressões verbais, físicas), não pode ser visto como um ato abominável. As crianças tem dias bons e ruins, nós também. Sabe a tal da EMPATIA? Então, é disso que falo. Todos a merecemos.

E talvez seja essa mesma a saída para nós, mães, pais, na tal fase dos dois anos: empatia.

Porque a criança não sabe o que é isso. Bem, nem a gente sabe direito. Mas a gente pode tentar praticar. Com ela, nossa criança amada, em primeiro lugar. Com as demais crianças, quando elas começam a fazer birra ou chorar convulsivamente no restaurante, na fila do banco, na hora do “parabéns”. Com os familiares do bebê chorão, que podem estar só olhando, tentando resolver a situação com tranquilidade, ou quando já perderam a tal da paciência, característica tão requisitada no dia a dia.

E assim, oscilando entre “mãe paciente e equilibrada” e “mãe tresloucada”, estou aqui, sobrevivendo e levando a crise dos dois anos, que começou ali por 1 ano e meio e segue, firme e forte. Com muitas leituras, trocando ideias com outras famílias, ouvindo os mais velhos, com acertos e com erros.

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Encontrei no BLOG PAPO DE HOMEM (neste link AQUI) um pequeno trecho, de autoria de Alex Castro, que define bem o que tenho aprendido sobre essa importante característica. Vou reproduzi-lo abaixo:

“Empatia não é pena, dó, caridade — todos sentimentos condescendentes.

Empatia não é amor, simpatia, agrado — todas manifestações de afeto pessoal.

Empatia não é entendimento, compreensão — todas operações de redução e controle.

Empatia não é algo que se exerça de fora para dentro, de uma pessoa para outra.

Empatia é ESTAR dentro de outra pessoa, sentir o que ela sente, pensar o que ela pensa.

E, sim, é tão impossível quanto soa e tão imprescindível quanto parece.”

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