“Uma carta para meu marido nessa fase estranha”

É uma tradução livre do texto “To My Husband in this Weird Phase of Marriage: Let’s See it Through”, da blogueira Katie Parrish. Eu realmente não sei quem foi o primeiro a fazer a tradução, mas o primeiro blog onde a encontrei foi no JUST REAL MOMS.

Li há alguns dias esse texto. A identificação é muito grande, porque capta um aspecto que nós insistimos em esconder: o cansaço. Escondemos das nossas famílias, dos nossos amigos… Precisamos mostrar que estamos felizes com a vida em família, e que nada mudou, ora bolas! E aí fingimos que estamos super a fim de nos produzirmos e de ir naquela balada, quando o que mais queremos, na verdade, é ficar babando no sofá!

No meu caso a identificação é TOTAL, porque a autora do texto também é mãe de dois – e se você, meu amigo e minha amiga, que tem apenas um, já conhece o cansaço, imagine com mais de um!

É bem assim que nós, principalmente as mães (porque a sociedade nos pressiona mais que aos pais), nos sentimos em grande parte das vezes. E apesar de estarmos exaustas o tempo todo, de sermos mães em tempo integral, ainda amamos fazer outras coisas, outras pessoas. Por mais que isso fique escondido atrás da nossa montanha interminável de sono e cansaço!

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“A vida está estranha agora, né?

Não quero dizer que ela seja estranha. Ela apenas está. Trabalhamos para receber o salário para pagar tudo e parece sempre que há mais mês do que dinheiro. Há duas pessoas muito pequenas em volta da gente, que são como chefes, enquanto nos esforçamos para manter o controle. Estamos sendo puxados em tantas direções que muitas vezes estamos em lados opostos.

Então, nós brigamos. Nós brigamos sobre as decisões como pais e de quem é a vez de trocar uma fralda suja. Brigamos sobre dinheiro e sobre as vezes que escolhemos comer fora na semana passada. Brigamos sobre roupa pra lavar e limpeza da casa. Nós brigamos sobre as coisas estúpidas que, eventualmente, esquecemos do que se tratavam e começamos a brigar praticamente sozinhos.

E isto é exaustivo. Tantas exigências sobre nós. Horários, visitas da família, inúmeras obrigações. Intermináveis mamadeiras de suco e seus derramamentos iminentes sobre o tapete. Bebês com fome que funcionam como alarmes às 6 da manhã. E quando finalmente consigo me sentar pela primeira vez em duas horas, isto é o suficiente para alguém precisar de mim imediatamente. Às vezes é difícil até conseguir respirar um pouco, muito menos conseguir uma pausa para fazer xixi em paz.

Nós sentamos, um em frente ao outro, muito em silêncio. Não porque não temos nada para falar, mas simplesmente porque estamos cansados de falar. Às vezes eu percebo que há coisas importantes que eu não disse a você, porque nós apenas não tocamos no assunto. Eu tenho saudade daquela proximidade que tínhamos quando nossa vontade de falar era outra e nosso tempo era consumido um com o outro. Neste momento, o sono é melhor do que sexo e jogar jogos em nossos telefones é mais relaxante do que uma conversa.

Isso não quer dizer que eu sou infeliz. Esta é a vida que a gente sempre sonhou. Eu não amo nada mais do que você e nossos filhos. A exaustão das nossas vidas é melhor do que qualquer coisa que eu consigo imaginar.

Mas o meu coração anseia por ti mais do que ninguém.

E eu sei que é tão difícil agora. Mas estou aguentando.

Porque eu vou precisar de você.

Eu vou precisar de você para me dizer que tudo vai ficar bem quando eu chorar no primeiro dia de jardim de infância de um dos nossos filhos. Eu vou precisar de você para me segurar quando eu receber algum telefonema com más notícias. Eu vou precisar de você para administrar as coisas depois que eles decidirem sair de casa para a faculdade e morar fora.

Eu vou precisar de você para segurar minha mão quando estivermos juntos no banco de uma igreja no casamento de um filho. E eu vou precisar de você para dançar comigo na recepção. E eu vou precisar que você me abrace muito nessa noite, enquanto eu estiver lembrando todas as memórias da vidinha do nosso filho quando pequeno e chorar porque ele não é mais só meu.

Eu vou precisar de você quando eu não tiver mais tantos compromissos. Quando não tiver ninguém gritando por suco de laranja ou chorando sobre os dinossauros não-existentes que vivem em seus armários. Quando não tiver mais mamadeiras pra lavar ou brinquedos para pisar em cima. Quando eles estiveram aqui apenas nos fins de semana, e em vez de trazerem uma trouxa de roupa suja, eles trouxerem os nossos netos com eles. Eu vou precisar de você para me comprar um balanço da varanda e eu vou precisar de você para sentar-se ao meu lado e segurar a minha mão e me dizer como você é grato por esta vida que construímos juntos.

E, ainda assim, eu precisando de você pra tudo isso, saiba também que: eu quero você, também. Eu quero que você esteja em cada passo do meu caminho.

Então, se isso significa se sentar um em frente ao outro num silêncio constrangedor enquanto esperamos esta fase da vida passar, isso é bom. Eu vou estar sentando perto de você para que você saiba que eu estou aqui e eu não vou a lugar nenhum. Eu posso até mesmo segurar sua mão. Enquanto a outra mexe no telefone, é claro.

Eu te amo, e eu vou continuar a amá-lo através de tudo isso.

O silêncio é bom, contanto que eu esteja com você.”

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